Em entrevista para as páginas amarelas de VEJA, NAMATELA MACHADO JORGE, presidente do TRE do RIO, que enfrenta um dos problemas mais complexos e constrangedores das próximas eleições – os currais eleitorais nas favelas da cidade sob o comando e domínio dos criminosos, que sob coerção e medo obrigam os moradores a votarem nos candidatos do tráfico -, lembra, com muita propriedade e maior oportunidade, que a democracia não é apenas o governo da maioria: “as doações ocultas são uma das razões do desequilíbrio no jogo político. É de onde, afinal, se alimentam campanhas milionárias irrigadas por dinheiro sujo. Isso é um desvirtuamento da própria natureza da democracia, que não é tão somente o governo da maioria – mas da maioria honesta”.

E esse dinheiro sujo vem de quem consome as drogas que sustentam o tráfico, ou seja, de quem tem dinheiro para pagar pela droga. Enquanto não houver uma movimentação da sociedade e da familia para coibir o uso de drogas, não mudará a situação.