O AMOR, O TEMPO, A DISTÂNCIA

“Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.” VINICIUS DE MORAES.

Depois de 6 anos de separação, mais precisamente 2.321 dias sequestrada pelas FARC, INGRID BETANCOURT reencontrou seu marido JUAN CARLOS LECOMPTE no dia 2 de junho de 2008, na pista do aeroporto SAN JOSÉ DE GUAVIARE, na COLOMBIA: um tapinha no rosto, e, “Oi, como vai? Quais as novidades?” 14 de janeiro de 2009, LECOMPTE perde o pai e recebe, de INGRID, a seguinte mensagem, “Estou tentando falar com você há vários dias para resolver essa história do divórcio. Eu sei que seu pai morreu, mas a vida continua”.

SONETO DA FELICIDADE

VINICIUS DE MORAES


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Não há amor que resista ao tempo, ao sofrimento e à distância; ou há? Ou nem mesmo existia antes?

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