CAMINHO SEM VOLTA

Nas páginas amarelas da VEJA deste final de semana, o paleontólogo PETER WARD, autor do livro THE MEDEA HYPOTHESIS, afirma que já passamos do ponto, e não há nenhuma hipótese de qualquer retorno na tentativa de nos reconciliarmos com a natureza: “Há muita coisa louvável no ambientalismo, da ênfase na economia de combustíveis e outros recursos à idéia de que é necessário preservar certas regiões do planeta. Mas, a utopia do retorno a um mundo mais simples, mais primitivo, mais natural, aponta na direção errada, tanto por motivos práticos, quanto por motivos teóricos. Se a população fosse de 1 bilhão de pessoas, vá lá. Mas, num mundo com 6 bilhões de habitantes, não podemos abrir mão das conquistas da nossa civilização tecnológica e se quisermos cuidar de doenças e produzir alimentos em larga escala, para ficar nas necessidades mais básicas. A civilização pré-industrial dos sonhos ambientalistas resultaria, muito rapidamente, em fome global. A fome acarretaria guerras – e há poucas coisas feitas pelo homem mais devastadoras para o ambiente do que a guerra…” Eu concordo com PETER WARD por essas e muitas outras razões. Primeira e principal, a vida, como nos ensina a natureza, CAMINHA PARA FRENTE. Isso posto, não existe a menor possibilidade de retornos. Segundo, e também importante, nos deliciamos e vibramos com muito do que tínhamos no passado mas, diante das questões do quanto e do que abriríamos mão para esse retorno, provavelmente, de quase nada. Terceiro, com tudo de ruim que o progresso nos trouxe, e como sempre diz  minha adorada mãe de 92 anos, e graças ao desenvolvimento tenho o privilégio de a ter viva, quando coloco na balança, me encanto com todos os desafios, perspectivas e possibilidades que nos aguardam, e não consigo encontrar mais que poucos minutos para ter saudade do passado. Por isso, por tudo, e por muito mais, o caminho não tem volta; o câmbio da vida só tem marchas para a frente, não tem marcha a ré.

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