Como não poderia deixar de ser pela densidade devastadora da tragédia que se abateu sobre o HAITI, os canhões da midia mundial apontaram todas as suas luzes em direção ao pequeno país ilha de quase 9 milhões de habitantes, mar do caribe, América Central. Em questão de minutos o foco da atenção de todos era o HAITI. Agora, duas semanas depois, e durante muitos anos, ainda seguiremos os esforços na reconstrução do país. Mas, durante esses quinze dias, HAITI foi o palco. Celebridades vivem da luz. Se todos os canhões de luz da midia convergiram compulsoriamente para o magneto HAITI, e temendo uma perigosa ausência de uma semana das páginas e demais espaços de fofoca dos diferentes veículos , muitas celebridades encontraram uma maneira de se colocarem, de forma direta ou direta, até mesmo com a presença física, sob as luzes do “HAVAI” – conforme declarações apiedadas de muitas delas.
Até mesmo os supostamente mais discretos, como foi o caso de GISELE BUNCHEN, fez chegar a imprensa uma nota sobre sua generosa doação. Já um JOHN TRAVOLTA, aterrizou na ilha, furando a fila de aviões de instituições de benemerência de todo o mundo e que aguardavam a vez, pilotando seu BOEING em companhia de sua mulher KELLY PRESTON, com toneladas de alimentos, medicamentos, uma equipe de médicos, e companheiros do casal da cientologia. Fotos do casal sorridente, no cockpit do BOEING 707, ocuparam as primeiras páginas de milhares de publicações em todo o mundo, no jornalismo das emissoras de televisão muito especialmente das principais redes americanas, e mereceram rasgados elogios – e algumas críticas – de milhares de blogs na blogosfera.
Um espaço para um comercial de 30 segundos no superball – final do futebol americano agora em 7 de fevereiro – custa em torno de US$3 milhões. Mais a produção, e mais o risco inerente a qualidade ou não do conteúdo, e a eficácia da comunicação. TRAVOLTA, assim como outras celebridades, investiram muito menos que os US$3 milhões que compram apenas 30 segundos na maior audiencia dos EUA. E alcançaram repercussão e cobertura dezenas de vezes maior e, em tese, por uma boa causa.
É assim, e vai continuar sendo assim. Mariposas não resistem à luz. E ninguém, nessas horas, tem coragem de descer o porrete. Mas não dá para disfarçar essa sensação de desconforto e constrangimento que toma conta de algumas pessoas. Curto e grosso, se fosse verdadeiro, se fizessem só por eles, NINGUEM FICARIA SABENDO. Nem a mulher, o pai, os filhos, os vizinhos, o mundo.



