Ontem foi preso preventivamente, acusado de 56 estupros – 52 consumados e 4 tentativas -, o médico ROGER ABDELMASSIH, que nas duas últimas décadas frequentou os principais noticiários do rádio, televisão, jornais e revistas brasileiros, por sua excelência em processos de fertilização, e pelo índice de sucessos alcançados. Inocente ou culpado? Só o tempo e as dezenas de processos responderão. Mas, na hipótese de ser culpado, e aparentemente é, permanecerá para sempre no ar e sem resposta a pergunta, “por que todos silenciaram durante tantos anos?”; e uma segunda, “até quando a imprensa do país aceitará sem um mínimo de responsabilidade todas as informações que lhe caem no colo?”
EM TEMPO 1: A clínica de ROGER ABDEELMASSIH funciona há 20 anos num casarão da Avenida Brasil em São Paulo. Nesses 20 anos foi responsável pela geração de mais de 7 mil crianças, de famosos e não famosos, incluindo os filhos de PELÉ, MOACIR FRANCO, TOM CAVALCANTI, GUGU LIBERATO. Quando completou 5 mil crianças, foi organizada uma grande festa, com um show de ROBERTO CARLOS, incluindo a presença de muitas crianças que nasceram na clínica.
EM TEMPO 2: Desde o último dia 7 de agosto, “ESTUPRO” tem um entendimento diferente do que sempre teve até essa data. Agora, para que se caracterize o ESTUPRO, não é necessário mais a conjunção carnal; é suficiente ocorrer a molestação de qualquer ordem ou intensidade. Pela legislação antiga e entendimento anterior de ESTUPRO, são 3 acusações, e não 56.
PS1 – CAROLINA, não estou defendendo o médico e inclusive minhas primeiras impressões, conforme escrito em meu comentário, é que – “na hipótese de ser culpado, e aparentemente é” -, é que as acusações são muito fortes, multiplas, e vem de muitos anos, desde o início da carreira dele quando ainda não era famoso e dava plantão num hospital de Campinas ligado a SANTA CASA DE MISERICÓRDIA. Tudo o que fiz foi procurar esclarecer, já que a mídia com exceção da FOLHA preferiu não esclarecer os leitores que o sentido da palavra ESTUPRO mudou e agora é bem mais abrangente; e que não consigo apagar de minha lembrança o “linchamento público” de um casal de professores que aconteceu nesta cidade, na tristemente famosa ESCOLA BASE, março de 1994, acusados que foram de abusar das crianças que lá estudavam. Em pouco tempo provou-se que eram absolutamente inocentes mas ai ja era tarde. O “linchamento” estava consumado. Apenas isso que me move para me referir de forma mais cautelosa e não ser tão incisivo nas conclusões.