Em seu artigo de hoje, no ESTADÃO, e pelo título, “”OS LIMITES DA TOLERÂNCIA” tudo levava a crer que o ex-presidente fosse explicar sua “troca de chumbo” com o senador HERÁCLITO FORTES (DEM-PIAUÍ), que beneficiou sua filha. NADA; ABSOLUTAMENTE NADA! Rodou, rodou, rodou, e não entrou no assunto. LAMENTÁVEL. É como se homens públicos não devessem satisfação. Falou de Theo van Gogh, da Holanda, Amsterdã, de Spinoza, Huizinga, sírios, iraquianos, marroquinos, berberes, turcos, somalios, deitou cultura inconsequente e entendiante, e não entrou no assunto. No final, ameaçou, “O que tudo isso pode ter que ver com o Brasil? Pouco, e, talvez, muito. Temos a sorte de viver em uma cultura que também aprecia a tolerância…” e por aí vai até que no finzinho, “O mais triste ocorre, como agora, quando os que chegaram ao poder para renovar e adaptá-lo aos novos tempos aderem aos hábitos do `clube oligárquico´e se atribuem a `missão histórica´de perdoar os transgressores e dar continuidade às velhas práticas”.
De novo, uma tremenda decepção. Será que falava da “troca de chumbo” que protagonizou ao mencionar o “perdoar aos transgressores”? Depois, FHC, não se trata de adaptar o poder aos novos tempos, trata-se de rever radicalmente os formatos e processos dos sistemas democráticos em todo mundo, diante de uma nova realidade que demanda muito mais do que simples adaptação. Como ensinava DRUCKER, “Para mudar não é suficiente colocar todas as novas ideias na velha moldura que possuímos em nossas cabeças; é preciso, antes, jogar a velha moldura fora”.



