No ESTADÃO deste domingo, a coluna de ROGER COHEN, do NEW YORK TIMES. O título, “INTERNET NÃO SUBSTITUI O REPÓRTER”, um sintoma crônico de MIOPIA, de culto exacerbado à ferramenta esquecendo-se e ignorando que a ferramenta internet é apenas mais um meio de comunicação; um tremendo meio, mas, apenas um meio. Sem perceber, e crente que está valorizando o ser humano atrás da informação, acabou dando uma dimensão que nenhum meio de comunicação tem, inclusive a internet. Por maior que seja sua dimensão, e é. No texto, e em tons carregados de exageros, pouca emoção verdadeira e lágrimas ralas e excessivas, COHEN derrama-se em redundâncias e obviedades: “Nenhum buscador na internet consegue transmitir o odor de um crime, o tremor no ar, os ecos de um grito… Nenhum buscador de notícias vai lhe falar sobre a cidade devastada suspirando ao anoitecer, nem dos gritos desafiadores ouvidos noite adentro… Nenhum milagre de tecnologia poderá reproduzir essa sensação de boca seca que o medo causa…” e por aí vai.
A ferramenta, todas as ferramentas, o meio, todos os meios, em si, são inertes, mortos, passivos, estáticos. Alguém precisa colocá-los em ação, em funcionamento, e esse alguém, direta ou indiretamente, sempre será o ser humano, jornalista ou não. Ser humano esse, por sinal, que foi capaz de criar o meio, ou dar sentido e significado de meio, tanto ao que já existia e se converteu em meio, como ao que não existia e meio se tornou.
COHEN em seu artigo refere-se aos recentes acontecimentos do IRÃ. Onde, por sinal, mais que os jornalistas presentes, as pessoas comuns, nós, os não jornalistas, foram decisivas para que o mundo tomasse conhecimento de tudo o que estava e está acontecendo. E a internet, que como diz COHEN “não substitui o repórter”, sob seus diferentes formatos, foi condição essencial para que a comunicação se realizasse.
ROGER COHEN perdeu seu tempo em produzir choramingo da pior qualidade, e nos tirou preciosos minutos de leitura deste domingo frio e cinza.






