Tudo leva a crer que nas próximas horas a SADIA seja incorporada à PERDIGÃO. Dois anos antes, antes das apostas de alto risco e injustificáveis da SADIA, a situação era exatamente o contrário: a SADIA é que engoliria a PERDIGÃO. Final trágico para uma empresa que faz parte da história do país, que construiu uma MARCA LEGENDÁRIA, que se esmerou nas práticas do marketing, mas deixou-se seduzir pelas perspectivas ilusórias de lucros fáceis totalmente fora de seu “core business”. Especulou, jogou com décadas de dedicação e comprometimento de milhares de colaboradores de dentro e de fora, e com toda a energia empreendedora de seus fundadores. Um único vacilo foi suficiente para desestabilizar a empresa; um único ano de prejuízo de toda a sua história – R$3,8 bilhões (2008) -, a maior parte decorrente das apostas em derivativos de câmbio. Que todas as demais empresas aprendam a lição.

O que será que leva uma empresa como a SADIA fazer uma aposta “imoral” como foi feita? Será que os executivos pensaram que ganhariam muito com a especulação financeira e indiretamente bônus generosos devido a esse lucro fictício? E a governança corporativa, onde fica? Precisamos estudar/revisar vários conceitos de Administração.
A Sadia sempre apostou no mercado interno enquanto a Perdigão apostou mais no mercado externo que no interno, regrinha 70/30, mesmo com a crise as exportações de aves e suinos foram alavancadas com a queda nas exportações da carne bovina em função da retração no mercado Europeu, aliada a uma boa governança por parte da Perdigão.
No aspecto de Marca, acredito que a Perdigão (aves e suinos congelados)irá manter a marca Sadia (frios de qualidade) como já fez com a Batavo (laticinios) e Aurora (embutidos)
O fato mais interessante dessa crise é que os ícones estão sendo desnudados.
Quantos economistas, quantos “geniozinhos com MBA” (como era o diretor financeiro da Sadia na época), quantos “superfinancistas” foram sendo desmascarados e têm hoje sua competência altamente questionada? Todos posavam de mestres e se metiam a dar lições aos pobres mortais, aqui incluidos os empresários sérios e conservadores, que até há pouco eram taxados como retrógrados…
Na verdade o problema da sadia foi deixar o core business de lado, a verdadeira identidade das pessoas jurídicas e físicas.
Madia,
mais um caso de miopia que Levitt e toda sua propriedade já levantará a décadas e que nossos executivos teimam e enfrentar.
Colocar apenas o lucro em detrimento do posicionamento, a frente dos seus interesses de marca e mercado, sem o comprometimento com a orientaçao para o cliente e bajulando apenas as práticas financeiras…
Pela primeira vez o “S” escreverá a palavra PERDIGÃO.
Um abraço…
No que se refere a prejuízo as duas estão na mesma draga.