Pesquisa realizada pela DELOITTE em 5 países – BRASIL, ESTADOS UNIDOS, JAPÃO, GRÃ-BRETANHA E ALEMANHA – com mais de 9 mil entrevistados sendo 1.022 no Brasil, constata que os brasileiros passam três vezes mais tempo conectados à internet do que assistindo à televisão. Nesse trabalho que a empresa realiza pelo terceiro ano consecutivo, “O FUTURO DA MÍDIA”, a conclusão sobre o comportamento dos brasileiros é que passam 82 horas por semana utilizando e recorrendo a diferentes tipos de mídias e entretenimentos tecnológicos, incluindo os celulares.
O que esses brasileiros – nós – fazem na internet? A maior parte do tempo é alocada para a criação de conteúdos pessoais para serem acessados por outras pessoas – web sites, fotos, vídeos, músicas, blogs. Definitivamente, a platéia ocupou o palco, cansou-se de ficar assistindo; nem mesmo aceita a condição de coadjuvante.

Sou assíduo leitor de seus comentários e gostei muito desse “Web 3 x TV1″, mas acho que a Web ainda terá um longo desafio como canal de realcionamento, mídia, promoção e vendas de forma mais assertiva e melhor segmentado.
Não há como não concordar com sua feliz frase de que a “platéia ocupou o palco”.
E será essa profusa enchente de conteúdos pessoais que poderá confundir um pouco o “campo de jogo”: O grande risco da Web se tornar algo entre uma Listas Amarelas Interativas ( que realmente foi, durante aquele frenesi tresloucado da bolha da Internet no final do milênio passado) e um Grande Mural ambicionado paar ser visto pelo mundo mas “enxergado” apenas pela tribo ou pelo vizinho do lado.
Não há dúvida que cada vez mais seremos platéia, criando nosso próprio espetáculo, porque cada vez mais estamos mais carentes e com maiores necessidade de expressão e reconhecimento.
Como também dúvida não há, que a coisa mais chata de um esptáculo é ouvir, antes do show, os agradecimentos insosos e ineficazes de patrocínio.
Para achar caminhos mais plausíveis de interação eficaz com a platéia, haverá a necessidade do sempre incomodo “choque de realidade” para a Web, que talvez não tenha acontecido totalmente:
Ou ela é a fada da Cinderela, que encanta e transforma, ou a abóbora que virou carruagem e depois voltou a ser abóbora….
Mais cruel que essa dúvida, só a constatação que milhões de pessoas estarão se dirigindo a pontos comuns de convergência, estarão por horas lá nesses pontos e a gente não sabe bem o que fazer com elas.
abraços e parabéns.
Caro Madia,
Resta saber até quando o oligopólio da mídia continuará resistindo ao cumprimento da “profecia”: a terceira e última etapa do processo, ou seja, a pulverização das verbas publicitárias (desconcentração).
Neste momento em que os novos paradigmas ainda se encontram em fase de “casulo”, os grandes grupos de mídia ainda se fazem de avestruz e se seguram por meio de artifícios como o BVs etc. Como será o futuro das grandes corporações de mídia?
Nos EUA, a “represa” já rachou; e antes do que previam os analistas. A previsão era de que a Internet passaria os jornais impressos como principal mídia de informação somente em 2011. Mas isso já ocorreu em 2007, conforme atestou estudo do Pew Internet – inclusive em alguns países da Europa, como a Espanha. Nos EUA, tradicionais conglomerados de mídia impressa já fecham as portas ou encolhem – sintoma dos novos paradigmas.
No Brasil, em função de barreiras como analfabetismo e baixa inclusão digital, haverá um pouco mais de tempo. Mas quanto? Aqui, a principal mídia não é a impressa, mas a TV, que tem mais de 50% de participação no bolo publicitário. Mesmo assim, a web pode ameaçar, pois oferece também a possibilidade de veiculação de conteúdo televisivo.
E é justamente este dado da pesquisa da Deloitte, que aponta como a produção de conteúdo, agora, não é mais “monopólio do oligopólio” da mídia, que consiste em notícia ruim para as empresas de mídia que continuam a insistir em modelos de negócios com data marcada para a “validade” expirar. Aqui, não tem ninguém desenvolvendo projeto de mídia com DNA próprio da internet. O que vemos são versões digitais de conteúdos produzidos para mídia impressa ou para TV e rádio. A oportunidade está colocada. Quem vai aproveitar? Será um outsider?
Abs
Felipe Pugliesi Jr.
Madia,
Sempre que vejo alguem falando sobre TV o discurso é sempre o mesmo, e acho que por isso , nao avança.
A análise é sempre na primeira camada e por isso nao repercute e não causa nenhum efeito.
Analisar como oligopolio ou pulverização da midia, ou o poder da internet ou isso ou aquilo não adianta e vai para um enfrentamento desnecessário pois as midias se relacionam e servem para resolver problemas de comunicação. Em alguns casos so a tv vai resolver outros só o jornal e alguns só a internet, mas em outros casos a combinação de vários meios e elas convivem em harmonia.
Existem questões mais profundas e vou lembrar de algumas:
- TV tem,HOJE, audiencia BEM maior que web e isso não pode ser dezprezado. estamos falando de salarios de hoje, receitas de hoje, custos de hoje, vendas de hoje. não se pode fechar uma agencia rentável e abrir uma digital no dia seguinte por moda e sem modelo de negócios consistente assim como a unilever não pode deixar de anunciar omo na tv e passar tudo pra internet. perde share, perde visibilidade, perde espaço em gondola,etc,etc
- Todas as agencias digitais tem sua rentabilidade ( mais de 70%) provenientes de tecnologia , em fabrica de software e isso não é comunicação( e é uma chatice). não da pra reter talentos e gerar negócios discutindo php, dot net ou a ferramenta de publicação com um engenheiro ou com um gerente de projetos. tecnologia discute a construção da hidrelétrica e comunicação somente quer a luz a partir do toque no interruptor.
- Os clientes falam, falam e fazem a midia da mãe. alguns veiculos e meios são mais seguros pelo tamanho da sua audiencia. Mas como o mercado e soberano, já chegaram a adaptar pra internet a mesma prática da midia da mãe; Não é incomum determinar 70% das verbas para os grandes portais portais buscando a tal da audiencia. Clientes tambem gostam de dispersão ou não acreditam nas métricas?
Vale citar que as tvs perderam 4% da audiencia média e mesmos assim reajustaram suas tabelas e nãp vi nenhuma passeata na paulista.
- Internet é um meio sem liderança e sem aglutinação. Até hoje, pasmem, se há um problema de comunicação que pode ser resolvido com veiculação na internet ou em jornais, é mais facil por uma campanha de jornal no ar em 10 veiculos( em 5 estados) que na internet em 5 portais(em SP). São versões diferentes, resizes, pesos , ad servers, tags e tempos de implementação que tornam o jornal mais prático e rápido. Por que os sites nao se conversam e não se combinam e imitam a TV, o radio, as revistas e os jornais? ainda há o underdelivery,quando planejo e compro x ,de acordo com a informação que tenho, e recebo 30% a menos da veiculação plenejada. Como falo com aquelas pessoas?Quem estorna esse faturamento?
Em tempo: isso tudo gera custos e o cliente nem sempre( nunca) quer pagar por isso.Fazer algo inédito no teatro para anuncia o patrocinio custa. Custa no salario, na ideia, na implementação e no checking. Se alguem se predispor a pagar choverão soluções em seguida.
- BV é um instrumento conhecido e reconhecido por todos. Conheço algumas agencias que abandonariam o BV hoje, se o Fee pagasse a conta e proporcionasse a rentabilidade esperada. BV não existe só em TV , existe em qualquer meio ou veículo que tenha representatividade, que seja alvo de investimentos representativos.
- Todos estão travando uma luta incessante na busca de um modelo de trabalho e de negócios que funcione e que seja rentável neste novo mundo da comunicação fragmentada. isso ocorre, neste momento, na inglaterra, na frança e em fortaleza.Mr Sorrel, nizan, Justus,R Loes enfim TODOS. Por enquanto tentativas, erros ,acertos e muita gente analisando os dados da telemetria mas nenhum modelo novo apareceu.Não estou falando de internet e sim de meios digitais e de novas formas de fazer comunicação com a audiencia fragmentada, da nova forma de montar uma agência com estas características . O problema está numa frase de minha autoria: Micro massa é igual a micro grana.
Sou publicitário com 20 anos no meio e sou digital desde 99. Estive no inicio,nas bbs´s e no dial up e desde lá este tema não evolui. Enquanto os meios digitais não se regulamentarem e se aglutinarem na busca de soluções comuns, metricas críveis que facilitem e credibilizem o meio digital o segundo passo não será seguro nem efetivo. Estes numeros, por exemplo, que são divulgados sobre time spent ou stickness na internet por parte dos brasileiros levam em consideração o MSN? Pode se considerar o MSN como conteúdo?
Bom…
Que os brasileiros passam três vezes mais tempo conectados à internet do que assistindo à televisão, é um fato.
Acredito que a baixa qualidade dos programas da TV aberta, bem como a repetição dos programas nas TV pagas contribuem para isso…
Do mesmo modo que a péssima qualidade do serviço Speedy e a cara de páu de alguns provedores de e-mail, que trafegam “headers de comunicação” incessantemente (enquanto não pagamos o famoso “aceledor”, que teria ironicamente o poder de tornar nossa internet mais rápida), também contribuem para que fiquemos “eternamente” plugados… rsrs…
Abraços,
Mariangella Brancon
Prezado Meira,
Como se diz em pesquisa survey, vc faz um corte transversal (retrato do momento) muito bem aprumado. E eu estou propondo um corte longitudinal, pegando tendências de médio prazo para frente.
Acho que a crise é um catalizador deste processo e vai trazer desdobramentos, como aqueles já observados no mercado americano – jornais que passam a ser somente online ou que fecham as portas.
Além disso, a internet não é o veículo. É o meio. O veículo vc pode criar na internet, se quiser. O que acho mais relevante de tudo o que coloquei é que os veículos tradicionais estão apenas adaptando seus conteúdos tradicionais para a tal da versão online. Ninguém está produzindo “O” veículo de internet, com o DNA da internet. Se tem alguém fazendo isso gostaria de saber quem é? Essa é a oportunidade.
Claro que o status quo do oligopólio está aí; e sólido como sempre. Mas começam a surgir novos paradigmas, que hoje estão ainda em formato de casulo. Mas eles crescem e se amadurecem com rapidez inédita na história da comunicação.
Repare por exemplo que um jornal na internet pode realizar um corte de 60% em seus custos, vez que não precisa papel, impressão ou distribuição. Por que não usam isso na prática para reduzir custos?
O principal problema dos veículos é não saber (ou temem) como lidar com dois genes específicos da internet: conteúdo gratuito e com mão dupla – ida e volta – o leitor online é participativo e também quer seu espaço de manifestação; mas não escondido em uma seção ou represado em uma coluna ou nos rodapés dos artigos. ELE QUER PARTICIPAR DE VERDADE. Mas ninguém lhe dá o “microfone” pra valer, ainda.
Essa é uma discussão muito rica. Claro que há problemas com os novos paradigmas. Mas especialistas em construção e gestão de marcas, como Kevin Keller por exemplo, já sugerem a web de forma inteligente. O “oligopólio” se sente ameaçado com a capacidade expansiva da internet; com sua falta de censura e a impossibilidade de “direcionar” opiniões e consciências. Repare nos recentes casos da revista Veja com o tema “Dantas e Mendes”. Há 10 anos, o impacto de factóides seria bem maior, por exemplo. Hoje, tiros como estes, tendem a sair pela culatra.
Além disso, o que são os fenômenos dos Blogs senão um sintoma da existência de espaços não ocupados pelas empresas de mídias tradicionais na web?
Agora, ninguém aqui está dizendo que as mídias tradicionais irão acabar. O que se coloca é que haverá um reordenamento, assim como já houve no passado. Lembre-se: o rádio já foi o campeão de faturamento publicitário. No Brasil, os jornais também já foram líderes. Os paradigmas mudam; tudo tem seu tempo. É preciso saber calcular. E aproveitar as oportunidades.
Abs