Em seus últimos livros, escritos antes de sua partida, DRUCKER manifestava sua profunda indignação com os bônus milionários que os executivos recebiam, muitas vezes, a custa de lucros produzidos pela dispensa de milhares de empregados. A crise que stamos vivendo escancara esse absurdo, essa perversão.
O quebrado LEHMAN BROTHERS, pagou a seu principal executivo, RICHARD FULD JR., no correr de menos de 10 anos, a bagatela de US$250 milhões – pouco mais de US$25 milhões/ano. Naufragou sufocado em dívidas, tendo perdido apenas no primeiro semestre de 2008 US$2,3 bilhões. O falido BEAR STEARNS, pagou a seu executivo JAMES CAYNE, também em quase 10 anos, US$290 milhões; e, depois, quebrou! São muitas dezenas de situações e histórias como essas.
Como se possível fosse, uma única pessoa, ser responsável quase que integralmente e na proporção do bônus que receberam nesses anos todos, pelo sucesso. Durante 20 anos o mundo se esqueceu do verdadeiro significado da palavra empresa.

E, na sua opinião o que está errado: a política de recompensa ou a de responsabilização?
E no mundo desenvolvido capitalista ainda tem gente falando que a interferência do estado na regulamentação desse tipo de coisa seria um retrocesso nas relações entre os executivos e seus empregadores! Onde estão os sindicatos de trabalhadores que até agora não se manifestaram? Tem muita gente perdendo emprego, enquanto altos executivos se enriqueceram com bônus impossível de ser imaginado por um trabalhador comum.
CAROLINA,
Tudo é um absurdo. Não faz o menor sentido, um única pessoa, num exército de milhares que contribuem, individual e coletivamente, no processo intermitente e exaustivo de BRANDING – construção da MARCA – da empresa e dos produtos, receber a quase totalidade dos prêmios e bônus, como se ele, sózinho, fosse responsável pela quase totalidade dos resultados. DRUCKER tinha mais que razão. Absurdo, indecência, escândalo. Muito especialmente e porque, como bem lembrava DRUCKER, esses executivos milagrosos, eram, no fundo, açouqueiros, sem desmerecer os açouqueiros de profissão e de verdade. Mutilavam a empresa produzindo todos os tipos de cortes para produzir elevados lucros no curtíssimo prazo, encherem os bolsos, um ou dois anos depois iam embora, e legavam uma empresa cheia de feridas e aleijões para seu sucessor; e, para sempre.