“O PEIXE URBANO A VENDA”

24 de abril de 2014

Na edição de EXAME que acaba de chegar as bancas a informação de que o PEIXE URBANO, quatro anos após sua fundação, “está prestes a ser colocado a venda”. Não foi por falta de aviso.

Na semana seguinte a chegada dos SCCs – SITES DE COMPRA COLETIVA – ao Brasil, em 2010,  alertamos, “NÃO VAI DAR CERTO; NÃO PARA EM PÉ”. Assim mesmo milhares de empreendedores saíram na correria para explorar uma suposta mina de ouro.

No dia 27 de abril de 2011, em artigo no portal do MADIAMUNDOMARKETING fomos definitivos: “ACABOU! Ou, melhor, JAMAIS EXISTIU”. Confira o que escrevemos naquele dia:

“Não obstante todas as nossas ponderações, consultores do MADIAMUNDOMARKETING, centenas de desavisados continuam mergulhando no território fugaz dos SCCs – Sites de Compra Coletiva. Em 24 meses, se tanto, não sobrará pedra sob pedra, ou, sendo menos contundente, talvez sobrem uns 10 ou 12 no máximo, dos mais de 1.000 que hoje existem no Brasil, e de outros 1.000 em processo de formação.

Uma espécie de modismo de verão, temporada de bambolê, tempestade de boliche, moda das pulseirinhas, e outras ondas circunstanciais, pontuais, momentâneas. Sem a menor consistência, incapazes de construir para as empresas para quem vendem seus “milagres” clientela verdadeira e leal, e, uma vez, varrido todo o mercado, assim como chegaram, desaparecerão no horizonte. Atraem os oportunistas de toda a ordem, que gostam de uma promoçãozinha; vão, se divertem ou se decepcionam por um valor subsidiado, e não voltarão jamais para pagar ticket cheio. E se o estabelecimento comercial não puder praticar o preço que precisa para sobreviver, vai a falência.

De qualquer maneira, e pela leitura dos jornais que tem a capacidade de fotografar o dia, mas são absolutamente incapazes de antever o que virá na sequência, mais e novos incautos retardatários ainda engrossarão a fila.”

Infelizmente, estávamos certos.

AZUL DE CAMPINAS PARA MIAMI E NYC…

23 de abril de 2014

Era uma vez uma empresa que nasceu ocupando preciosos espaços vazios desprezados pelas empresas maiores e pontificando como “a empresa” da aviação regional brasileira. Um território que lá atrás fora ocupado pela TAM. Poucos anos depois – exatos 6 -, e hoje, anuncia uma quinada radical em seu posicionamento, vôos para os aeroportos de FORT LAUDERDALE e JFK, e adesão ao Airbus A-350. Só nos resta rezar e torcer. A AZUL não é mais azul. É uma outra companhia qualquer menos a que foi anunciada. Nada a ver com aquela de um missionário brasileiro DAVID NEELEMAN, que ainda em 2012 traduzia seu sonho a revista DINHEIRO,

“Não tenho nenhum receio em dizer que nossa ambição é consolidar a Azul em um mercado ainda elitizado, em que voar de avião é visto pela maioria da população como um privilégio de gente rica”, diz Neeleman. “Quando o governo e as agências reguladoras conseguirem enxergar com clareza o potencial do mercado brasileiro, e os aviões levarem desenvolvimento a lugares que hoje estão praticamente isolados, haverá uma grande mudança no perfil econômico do País. Quero participar disso”, afirma o empresário. Esse potencial já começa a se expressar nos números da Azul, companhia aérea focada em rotas regionais. Depois de unir suas operações com a Trip, uma empresa com o mesmo perfil, a Azul passou a responder por uma fatia de 15% do mercado aéreo do País…”

Definitivamente, não se trata do mesmo sonho. O sonho hoje anunciado é completamente diferente. Com elevados riscos de transformar-se em trágico pesadelo. Talvez devesse considerar uma outra cor.

MASSACRE A VISTA

22 de abril de 2014

Na edição de ontem, a FOLHA retabulou os dados da última pesquisa, criando novas hipóteses. Numa delas, consolidou apenas a manifestação das pessoas que disseram conhecer “bem” ou “um pouco” os 3 candidatos. E o que aconteceu? DILMA 26, AÉCIO 24, CAMPOS 28. Num eventual segundo turno, considerando-se exclusivamente esse público, AÉCIO 47, DILMA 31. Ou, CAMPOS 48, DILMA 31. Nesse ritmo, e considerando-se o compromisso de CAMPOS e AÉCIO  apoiarem-se no segundo turno, começa a se configurar um verdadeiro massacre. 60 a 40, ou até mesmo 70 a 30 dos votos válidos. O desespero cresce no PT.

VOCÊ É O QUE AS PESSOAS ACREDITAM QUE VOCÊ SEJA

20 de abril de 2014

“Não existem segundas chances de se causar primeiras ótimas impressões”, ou, “Pessoas fazem negócios com pessoas que conhecem, gostam e confiam”, ou “Você é o que as pessoas acreditam que você seja”. Sintetizando, a PERCEPÇÃO É A REALIDADE e não se discute mais.

Leio agora em VALOR pequenas informações no território da BELEZA. A entrevista de OPORTO da EUDORA (BOTICÁRIO) e que atua no território das vendas diretas, anunciando uma grande e ambiciosa linha de produtos para o bilionário território (US$18 bilhões em 2013 só perdendo para os Estados Unidos) de cuidados para os cabelos. Uma linha com o viés profissional e performance comparável aos produtos utilizados nos salões de beleza.

Missão difícil da EUDORA. Quase impossível. Primeiro briga com gigantes das vendas diretas no território da beleza, AVON e NATURA. E na proposta conceitual, depara-se com outros gigantes globais como UNILEVER (TRESsemmé) e PROCTER (Wella Pro Series), que há anos vêm investindo pesadamente para se apropriarem desse território na cabeça das pessoas, muito especialmente das mulheres. Possibilidade de êxito da EUDORA? Repito, mínima.

Por outro lado, as notícias dentro do negócio da beleza, da categoria dos perfumes. E aí O BOTICÁRIO deita e rola. Acaba de desbancar a NATURA na liderança da categoria, segundo a pesquisa EUROMONITOR, com 28,8%, contra 27,7% da antiga líder. Na cabeça e coração das pessoas, O BOTICÁRIO é perfume. E isso mais que se evidencia em seu faturamento: 60% do total de suas vendas. Já NATURA tem uma percepção mais abrangente, e notabiliza-se menos por uma categoria específica, e muito mais por uma base conceitual.

Apenas isso. A percepção continua sendo a realidade. Você, em termos sociais – e empresas e negócios são sociais -, continua sendo o que as pessoas acreditam que você seja. Caso contrário, a YAKULT teria vencido, com essa mesma marca, no negócio de cosméticos. E tudo o que se viu foram 10 anos e US$50 milhões jogados no lixo, e as mulheres recusando-se a aplicar lactobacilos vivos no rosto.

A percepção, repito, continua sendo a realidade. Lei tão impossível de ser revogada como a da gravidade…

SETEMBRO DE 2013, portanto, ontem:

20 de abril de 2014

DILMA ROUSSEF: “Vamos mostrar ao mundo que aquela que já foi a segunda indústria naval dos anos 80, voltou e vai ser uma das maiores indústrias navais do mundo”… “Acreditamos na capacidade do trabalhador brasileiro e das empresas desse país (não é desse, DILMA, é deste). O resultado dessa luta é o fato desse estaleiro estar de pé e produzindo”… E disse muitas e muitas outras abobrinhas, rabanetes e berinjelas.

ESTADÃO, hoje,  20 de ABRIL DE 2014: “Para não atrasar seu cronograma de produção, a PETROBRAS vai concluir quase integralmente na CHINA a conversão de duas plataformas e metade de outro equipamento para o pré-sal da BACIA DE SANTOS, contratados em 2012 para serem feitos no BRASIL de forma a estimular a retomada da indústria naval. O acordo com o estabelecimento chinês foi fechado em fevereiro…”

Será que essa senhora tem a mais pálida ideia do que fala?

UM ARQUITETO DIFERENTE

20 de abril de 2014

Em entrevista ao ESTADÃO de hoje, o arquiteto francês FRÉDÉRIC DRUOT trouxe um contraponto mais que precioso e oportuno aos debates que se travam sobre a cidade de São Paulo. Respondeu todas as perguntas, e não fugiu de qualquer tema. Sobre o MINHOCÃO: “Aos domingos, ninguém quer derrubar o minhocão”. Sobre a arquitetura anárquica da cidade: “Fiquei fortemente impressionado porque SÃO PAULO, ao contrário de PARIS, aceitou sua modernidade. Vocês fizeram da coisa contemporânea seu cotidiano, e não a sua exceção”. Sobre demolições é radicalmente contrário e acusa, “A meu ver, planificar as demolições de bairros, imóveis e estradas é uma proposição preguiçosa de urbanistas e poderes políticos… A gente não precisa matar ninguém por causa da dor de dente”. E sobre o que leva da cidade de São Paulo: “O sorriso das pessoas”.

GABRIELLI ENQUADRA DILMA

20 de abril de 2014

Em entrevista no ESTADÃO de hoje, a RICARDO GALHARDO, finalmente alguém assume a culpa pela insensatez – para dizer o mínimo – que foi a compra da refinaria de PASADENA. JOSÉ SERGIO GABRIELLI, presidente da PETROBRAS na época, que confessa-se culpado e responsável, e divide a culpa com DILMA: “Eu sou responsável. Eu era o presidente da empresa. Não posso fugir à minha responsabilidade, do mesmo jeito que a presidente DILMA não pode fugir da responsabilidade dela, que era presidente do conselho. Nós somos responsáveis pelas nossas decisões”. Alvíssaras, finalmente alguém com um mínimo de vergonha e dignidade que assume o erro e não joga a culpa, como diz DILMA, “nos que querem destruir a PETROBRAS”. GABRIELLI coloca seus argumentos de forma direta, sensível, objetiva, repete que em seu entendimento mesmo que as tais cláusulas fizessem parte do resumo apresentado – acha irrelevante esse detalhe no âmbito do conselho – a proposta teria sido aprovada da mesma forma que foi. Num determinado momento da entrevista faz questão de lembrar e deixar bem claro que “Saí em fevereiro de 2012 e o acordo de PASADENA é de junho de 2012… Não fiz nenhum acordo com a ASTRA”, ou seja, jogou a bomba no colo de DILMA e GRAÇA FOSTER.

O MAL MENOR

19 de abril de 2014

Nem sempre se toma a melhor decisão. Nem sempre existe a melhor decisão. É justo continuar esperando que essa melhor decisão se manifeste? É essa a questão. Muitos, os mais velhos, sensíveis, lúcidos, até mesmo em função da idade e sentindo a partida próxima, aderem a tese de que é melhor fazer alguma coisa, ainda que não seja a melhor coisa, do que continuar de braços cruzados na esperança que um dia a melhor coisa brotará, naturalmente. Tudo leva crer que não brotará, e, assim, como o ótimo é inimigo do bom, decidir-se com coragem e determinação, ainda que seja apenas contornando, isolando e compreendendo o desafio, é o caminho que nos resta.

Em CEO EXAME a entrevista de um dos mais conhecidos e controvertidos especialistas em ÉTICA do mundo. PETER SINGER, australiano, e professor da Universidade de Princeton. A entrevista é assinada por MELINA COSTA.

Em determinado momento MELINA pergunta a PETER sobre como vem evoluindo a ética dentro das empresas e o entrevistado aposta muito – com total razão – na maioria da pessoas que trabalham nas empresas: “Também é preciso perceber que os líderes nas corporações são pessoas como você e eu. Eles querem se sentir bem com seus trabalhos e não apenas aumentar os lucros. Eles querem um dia poder dizer, NÃO DESTRUI O MEIO AMBIENTE, NÃO EXPULSEI PESSOAS DE SUAS TERRAS, NÃO TRATEI ANIMAIS DE FORMA CRUEL…”.

Mas, e voltando à questão do ótimo é inimigo do bom, ou, melhor decisão é aquela que é possível de ser tomada, o tema da comercialização de órgãos e a liberação das drogas toma boa parte da entrevista. E assim se posiciona PETER, sobre o COMÉRCIO DE DROGAS: “É um outro caso em que as tentativas de suprimir o comércio falharam. Temos um mercado ilegal e grandes lucros das organizações criminosas. Não há meio de assegurar a pureza dos produtos vendidos e temos mais casos de overdose de heroína por causa disso. Devemos nos preparar para uma nova experiência. Nos ESTADOS UNIDOS, os estados do COLORADO e de WASHINGTON começaram a experimentar a venda legal de maconha… devemos experimentar não como um mercado livre mas como um mercado regulado para que o assunto seja tratado às claras…”

Sobre COMÉRCIO DE ÓRGÃOS, assim se posiciona PETER SINGER, “Um exemplo é a questão de um mercado para órgãos humanos, particularmente rins. A vendas desses órgãos é banida internacionalmente. Mas há um grande mercado ilegal, o mercado negro internacional, e não parece ser possível suprimi-lo completamente. Quando as pessoas estão morrendo, elas fazem o possível para conseguir um rim, e se os doadores são pobres e você oferece dinheiro suficiente, eles vendem o próprio rim. É melhor ter um mercado regulado do que tentar suprimi-lo”.

E você, o que pensa desses dois temas que nos fazem pensar incessantemente no correr da última década? A minha opinião? Não fazer nada e continuar de forma contemplativa convivendo com a violência e ineficácia dos mecanismos formais é supostamente fácil e cômodo, mas não nos levará a qualquer outro lugar que não seja o abismo. É melhor tentar, é melhor fazer, é melhor experimentar, mesmo que nos arrependamos depois. Assumir a possibilidade do erro e fazer alguma coisa já é, em meu entendimento, a única alternativa.

SANGRIA NA CAIXA

19 de abril de 2014

É simplesmente devastadora a gestão do marketing da CAIXA. Desde LULA, e agora com DILMA, a CAIXA não investe em comunicação. Dá dinheiro para milhares de veículos de comunicação pelo Brasil, e, agora, leio no ESTADÃO, patrocina, sem o menor critério dezenas de clubes pelo país. Muitas vezes, as agências que trabalham para a CAIXA têm dificuldade em localizar o veículo de comunicação onde receberam ordem de colocar anúncios. E depois, dificuldade ainda maior em receber a documentação exigida pela legislação. Depois de conseguir a façanha de provocar a primeira corrida de depositantes à CAIXA, por um erro bisonho e medíocre de comunicação, agora a CAIXA deixou de ser uma instituição financeira para se converter em instituição beneficiente dos afilhados das lideranças petistas por todo o BRASIL. Aonde o PT põe a mão vira terra arrasada.

A TRAVESSIA DA PONTE: DO VALE TUDO À CAMINHO DA ÉTICA

18 de abril de 2014

A travessia não é fácil. O caminho é íngreme, tortuoso, desafiador. Mas precisa ser percorrido. O compromisso em direção a ética é inegociável, definitivo, sem retorno. Ainda que com pequenas concessões, a marcha segue.

Na edição da CEO EXAME – UM MUNDO MAIS ÉTICO – os desafios de uma grande companhia, no relato de MELINA COSTA. “A fabricante francesa de cosméticos L’ORÉAL figurou cinco vezes na lista de empresas mais éticas do ETHISPHERE. Para qualquer aspecto da organização que se olhe, parece haver uma política de estímulo à ética. Exemplos, até 2020 100% da matéria-prima renovável da L’ORÉAL deverá ter origem em fontes sustentáveis; e todos os anos há um dia da ética para o presidente JEAN PAUL AGON responder a perguntas de funcionários sobre o tema. Mas mesmo as empresas mais preparadas não estão isentas de DILEMAS ÉTICOS. Desde 1989, a L’ORÉAL não testa seus produtos em animais e passou a investir na pesquisa de métodos alternativos, como o uso de pele artificial. O problema é que na CHINA, um dos mercados de cosméticos que mais crescem no mundo, o teste em animais É OBRIGATÓRIO. O próprio governo chinês realiza os testes – não a L’ORÉAL diretamente. Assim a empresa decidiu deixar de lado sua marca de apelo sustentável BODY SHOP fora do mercado chinês, e entrou no país com marcas como L’ORÉAL PARIS e MAYBELLINE…”.

E aí vem a pergunta, durante a travessia em direção a um mundo novo, plano, colaborativo, e, essencialmente ético, que MELINA coloca, “O que é ético nesse caso? É sustentar o princípio de não crueldade contra os animais que a L’ORÉAL adota há mais de 20 anos? Ou, o importante é assegurar a participação no mercado chinês, e que pode ter um impacto brutal no futuro da companhia?”.

A resposta encontrada e dada pela L’ORÉAL, através de seu diretor de ética, EMMANUEL LULIN, “Acredito que ninguém esteja sugerindo que deixemos nossa operação em CHINA e demitamos 4.000 funcionários. Nosso departamento de pesquisa e inovação está trabalhando com as autoridades chinesas para dividir nosso conhecimento a respeito de outros métodos”. E, ponderou, para a reflexão de todos, “Se as corporações atuassem apenas em países com as melhores práticas de negócios ou sem problemas com direitos humanos e corrupção, provavelmente faríamos negócios em poucos países do mundo”.

Ou seja, a travessia é longa, penosa, cheia de dúvidas, e pedindo novas e consistentes decisões a todos os momentos. Mas, muito em breve, teremos corporações que independente de qualquer outra consideração, colocarão seus compromissos éticos muito acima de qualquer outro valor. Caso contrário, não valerá a pena empreender.